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Vocabulário Lacaniano

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A
A - B - C - D - E - F - G - H - I - L - M - N - O - P - R - S - T - V
AGENCIAMENTO (Agencement) (J.B.F.):

Termo qué sérvë para dEsignar globalmente tudo que se liga na linguagem.

AGRESSIVIDADE (Agressivité) (J.B.F.):

Na primeira infância, atitude do sujeito que visa a espedaçar o corpo de seus semelhantes, identificado com o seu próprio.

ALIENAÇÃO (Aliénation) (J.B.F.):

Relação de confusão entre si e os objetos, por falta de individualidade própria e de linguagem diferenciada.

ALINGUA:

O saber inconsciente, aquele que, segundo Lacan (1985 [1975], p. 190) escapa do ser falante e, portanto, sabe-se sem saber; aquele que marca o corpo (daí a linguagem não dar conta dele) com significantes, sem a mediação da significação. Ainda no mesmo seminário citado (idem, p.188), o autor acrescenta que a “alíngua serve pra coisas inteiramente diferentes da comunicação”, ou seja, não implica em “diálogo”, mas “comporta efeitos que são afetos” (idem, p.190), daí serem “corpo” – campo do real - e não palavra – campo da linguagem.
Tradução adotada, a partir da publicação de Outros Escritos (Jorge Zahar, 2002), para o termo "lalangue", criado por Lacan a partir da junção do artigo la ("a") com o substantivo langue ("língua").

ANDRÓGINO (Androgyne) (J.B.F.):

Ser mítico anterior à diferenciação dos sexos.

AUFHEBUNG (C.M.):

Para Hegel, o processo que anima o real e o racional - o ser e o pensamento - obedece a um ritmo ternário: a tese ou afirmação, a antítese ou a negação e a síntese ou a negação da negação. É esta última que constitui o momento da Aufhebung ("ultrapassamento-conservação).

B
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BARRA (Barre) (J.B.F.):

Linha indicando uma relação (entre significante e significado) e que se torna linha de separação.

C
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CADEIA (Chaine) (J.B.F.):

A linguagem enquanto formada de uma série articulada de signos.

CASTRAÇÃO (Castration) (J.B.F.):

Intervenção do pai, significando à criança que ela não é o falo e à mãe que ela não o tem.

CLAUSURA (Clôture) (J.B.F.):

Economia pela qual uma língua se baseia em um número restrito de regras e de unidades distintas.

CÓDIGO (Code) (J.B.F.):

Conjunto das regras da língua.

COMPROMISSO (formação de) (Formation de compromis) (J.B.F.):

Equilíbrio relativo pelo qual uma pulsão que forçou a barreira do inconsciente se encontra apesar disso descarregada de sua tensão.

CONOTAÇÃO (Connotation) (J.B.F.):

Linguagem segunda (e parasita) suportada pela linguagem primeira (corrente e "objetiva") a qual é chamada linguagem de "denotação".

CORPO ESPEDAÇADO (Corps morcelé) (J.B.F.):

Estado primeiro do corpo do sujeito, anteriormente a toda identificação.

CORPO PRÓPRIO (Corps propre) (J.B.F.):

Descoberta, graças ao espelho, da imagem global de seu corpo.

D
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DEMANDA ou PEDIDO (Demande) (J.B.F.):

Transcrição do desjo no plano da linguagem.

DEMANDE (A.L.):

Vertemos de presto e invariavelmente por "pedido", que é o que o "paciente" nos faz em sua angústia. Demanda traz à boléia conotações outras (relação de poder) que não vêm ao caso.

DENOTAÇÃO (Denotation) (J.B.F.):

Linguagem primeira, corrente e objetiva.

DESEJO (Désir) (J.B.F.):

Segundo Freud: movimento do aparelho psíquico para a percepção do agradável e do desagradável.
Segundo Lacan: ímpeto visando preencher a falha aberta pela falta-a-ser (ver esse termo).

DESFILE (Défilé) (J.B.F.):

A cadeia da linguagem enquanto coercitiva.

DESLOCAMENTO (Déplacement) (J.B.F.):

Derivação de um significante sobre outro por meio de uma associação de sentido.

DIACRONIA (Diachronie) (J.B.F.):

Mudança do sistema da língua pela passagem a um outro estado.

DISCURSO (Discours) (V. FALA) (J.B.F.):

Sentido extenso: A caeia falada, todo o além da frase;
Sentido restrito: Nível da obra que escapa às regras, narativas e é da competência das regras de argumentação, de retórica.

DISCURSO (J.P.L.):

Não equivale, em psicanálise, nem à língua nem à fala. Lacan chamou assim o tipo de relações que podiam ter entre si cs sujeitos em função do agenciamento que organiza os quatro termos - S barrado, S1, S2, a - que a "captura" dos sujeitos na linguagem implica. Esses quatro termos são: a bateria dos significantes (das palavras, dizendo muito rapidamente) dita S2, um (ou vários) significante mestre S1 (o que organizou singularmente o sujeito, as palavras que para ele foram determinantes), o sujeito marcado pela linguagem e que é inapreensível (ele "se barra" sem cessar, já que é apenas o "produto" da cadeia dos significantes) dito S barrado, e o "objeto a", o resto da operação significante, o que escapa sempre às palavras.
Em função da precedência de um ou de outro desses termos, colocados assim em posição de agente, logo, em posição organizadora, haverá quatro tipos diferentes de laço social: o discurso do mestre (em que é o S1, logo, o significante mestre comanda) e o discurso universitário (em que é o S2, logo, o saber que comanda), o discurso histérico (em que é S barrado, logo, o sujeito comanda) e o discurso analítico (em que é o objeto a que comanda). Uma única vez em sua obra (conferência de Milão sobre o discurso psicanalítico) Lacan evocou um quinto discurso, o discurso do capitalismo, em que, aparentemente, é o sujeito que comanda, mas no qual as conseqüências dessa organização fazem com que não haja verdadeiramente laço social.

DUAL (relação dual) (Relation duelle) (J.B.F.):

Relação da criança pequena com a imagem da mãe na qual o sujeìto não faz a experiência de sua própria individualidade.

E
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ECART (A.L.)

estampamos como "desvio". É o sentido exato na distribuição da curva de Gaus. No sentido leclairiano, é o espaço criado na diferença de uma superfície. A borda permanente do forâmen, exempligratia, alterada (diferença) pela carícia de um dedo.

ÉDIPO (OEdipe) (J.B.F.):

Segundo Freud: Primeiro encontro da dif renciação sexuaL.
Segundo Lacan: Esse mesmo encontro ligado ao acesso à ordem da linguagem.

EFEITO DE SENTIDO (Effet de sens) (J.B.F.):

Emprego particular dum lexema (palavra).

EGO (Moi) (J.B.F.):

Instância do indivíduo enquanto ao nível do imaginário. Se opõe Sujeito (ver este termo).

EMBREADOR (Embrayeur) (Shifter) (J.B.F.):

Unidade gramatical cuja função é dupla; ao mesmo tempo convencional e "existencial". Por isso relaciona a mensagem comunicada e o ato de comunicação.

ENUNCIAÇÃO (Enonciation) (J.B.F.):

O ato de comunicar uma mensagem.

ENUNCIADO (Enoncé) (J.B.F.):

A mensagem manifestada, comunicada.

ERÓGENA (zona) (Zone erogène) (J.B.F.):

Zona do corpo onde se concentram as pulsões (os ímpetos a retomar).

ESPECULAR (Spéculaire) (relação) (J.B.F.):

Caracteriza a relação imaginária no estádio do espelho (ver estes termos).

ESPELHO (estádio do) (Stade du miroir) (J.B.F.):

Estádio da p meira infância em que o sujeito está em relação com sua imagem e acaba por se identificar com ela.

ESTOFO (ponto de) (Point de capiton) (J.B.F.):

Ponto de cruzamento entre o percurso do significante e a elipse deslizante do significado.

ESTRUTURA (Structure) (J.B.F.):

Um todo formado de fenômenos solidários de modo que cada um depende dos outros e não pode ser o que é a não ser em relação com eles.

ETRUTURAL 1 (Structural) (J.B.F.):

Designa toda disposição submetida à regras linguísticas.

ESTRUTURAL 2 (Structurel) (J.B.F.):

Designa toda forma de organização referente à realidade.

EU (Je) (J.B.F.):

Pronome pessoal representando o Sujeito no enunciado, mas podendo tornar-se mentiroso na medida em que se coloca mais sob o regime do imaginário que sob o do simbólico (ver estes termos).

F
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"FADING" (Fadiga do sujeito) (J.B.F.):

Eclipse do sujeito, produzida pela Fenda (ver este termo).

FALA ou DISCURSO (Parole) (J.B.F.):

A linguagem enquanto falada concretamente segundo variações individuais.

FALO (Phallus) (J.B.F.):

O atributo paterno, significante primeiro 3e toda a cadeia de significantes inconscientes e conscientes.

FALTA-A-SER (Manque-a-être) (J.B.F.):

Condição de existência do sujeito separado do complemento materno.

FANTASMA (Fantasme) (J.B.F.):

Início de simbolização de um desejo inconsciente.

FENDA (Fente) (J.B.F.):

Divisão entre discurso consciente e inconsciente.

FONOLOGIA (Phonologie) (J.B.F.):

Ciência que estuda as relaçõ~ entre os sons recolhidos pela linguagem.

FORCLUSÃO (Forclusion) (J.B.F.):

Rasura definitiva de um acontecimento, de modo que não poderá jamais ser lembrado.

FORCLUSION (A.L.):

que verte Verwerfung, é vocábulo do linguajar jurídico. Tradu-lo em português "preclusão", como outrora, em Psicanalisar de Serge Leclaire, o empregamos. Porém, de indústria optamos pelo neologismo criado por M. 0. Magno: "foraclusão" e, daí, o verbo "foracluir". Justificativa: o neologismo é lídimo: temos incluir, excluir verbi gratia, do latim in-cludere, ex-cludlere. Daí o passo para foracluir é de pronto: "foras-clûdere". E isto é Verwerfung ad amussim: o real fechado fora. Quanto ao conceito, leia-se o último capítulo.

FORMAÇÃO (do inconsciente) (Formation de l'inconscient) (J.B.F.):

Atividade "subterrânea" do psiquismo.

G
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GRAMÁTICA GERATIVA (Grammaire générative) (J.B.F.):

Gramática que estuda as regras de transformação das frases (Noam Chomsky).

GOZO (J.P.L.):

Quando o termo é empregado por analistas, não se deve entendê-lo em sua acepção usual, ainda que nem por isso esteja dissociado dela. Com efeito, comumente o termo "gozar" remete ao gozo sexual e, a esse título, deixa entender que parcialmente tem uma ligação com o prazer. Mas, simultaneamente, o gozo está além do prazer. Aliás, Lacan indicou que o prazer era uma maneira de se proteger do gozo. Da mesma forma que Freud indicava que havia um "além do princípio do prazer". Assim, beber um vinho de qualidade pode ser qualificado de prazer, mas o alcoolismo transporta o sujeito para um gozo do qual ele seria, sobretudo, o escravo. Por extensão, a palavra pode ser utilizada para designar o próprio funcionamento de um sujeito enquanto aquele que repete infatigavelmente tal ou qual comportamento sem de modo nenhum saber o que o obriga a assim permanecer - como um rio - no leito desse gozo.

H
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HIANCE (A.L.):

neologicamente traduzido por hiância. Termo já justificado, alhures, Psicanalisar de Serge Leclaire. Cf. páginas internas.

HIÂNCIA (Béance) (J.B.F.):

Falha entre a falta-a-ser e o complemento materno.

I
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IDEOLOGIA (Idéologie) (J.B.F.):

Conjunto dos significados de conotação.

IMAGINÁRIO (Imaginaire) (J.B.F.):

Caracteriza a relação desprovida de individualidade distinta por falta dum acesso verdadeiro à linguagem.

IMAGINÁRIO (A.V. e L.C.M.):

Um dos três registros essenciais do campo psicanalítico é também o primeiro efeito da estruturação do sujeito para o outro. No desenvolvimento da teoria lacaniana, encontram-se as seguintes modalidades referidas ao Imaginário:
– a primeira refere-se à constituição da fase que localiza a passagem ao Primeiro Tempo do Édipo que, com o Estágio do Espelho fundaria o modo de relação narcisista nessa dupla chamada mãe fálica-narcisismo, relação dual estruturada pela Imago do semelhante cuja posição na estrutura fica marcada pela onipotência: a Mãe tem o falo, a criança é o falo ausente da mãe;
– a segunda modalidade refere-se aos efeitos que esta fase estrutura, o Eu especular (Ich-Ideal de Freud), lugar do Moi (a’) em correspondência com os objetos metonímicos do desejo (a): objetos esses que, enquanto substitutos da carência inaugural que opera como causa, surgem sob a ilusão de reais objetos da pulsão;
– a ilusória "unidade" do sujeito é a terceira modalidade e brinda o sujeito com a última garantia contra a exoscopia dos membros da dispcrsão originária, da prematuridade e falta de defesa do in-fans. A esta modalidade pertence o estatuto do fantasma como cenas originárias enquanto organizadoras da dialética das identificações que desde esse momento se operam.
A psicose põe em questão esta posição "primeira" mediante a remissão à fantasia do corpo fragmentado; finalmente, o Imaginário emerge no discurso do paciente sob a forma da demanda ao analista, lugar que o põe como fetiehe-de-identifieações pela transferência e com o qual acredita manter um diálogo comunicativo.
O Imaginário deve ser entendido sempre, qualquer que seja sua modalidade aqui apontada, como um efeito de desconhecimento da eficácia simbólica, da operação de desejo do Outro e da estruturação edípica (castração).

INDISTINÇÃO (Indistinction) (J.B.F.):

Relação (à imagem, à mãe) na qual a criança "cola" com aquilo com o que está frente a frente.

INSISTÈNCIA (Insistance) (J.B.F.):

Impulso do inconsciente na linguagem.

L
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LANGAGE (A.L.):

quase sempre traduzimos por "linguagem"; por vezes "fala" se impunha, visto que se tratava diretamente daquilo com que o analista lida.

LEI DO PAI (Loi du père) (J.B.F.):

Manifestações pelas quais o pai, detentor do falo, representa a linguagem, a cultura, e instaura a configuração familial das três individualidades.

LETRA (Lettre) (J.B.F.):

A linguagem em suas transcrições cultura já na escrita.

LÍNGUA (Langue) (J.B.F.):

Instituição social de signos codificáveis.

LINGUAGEM (Langage) (J.B.F.):

Termo que recobre ao mesmo tempo a língua e a fala (langue/parole).

M
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MÁSCARA (Masque) (J.B.F.):

O papel que se atribui ou se deixa atribuir o sujeito no plano da linguagem e da vida social.

METÁFORA (Métaphore) (J.B.F.):

Segundo Jakobson e Lacan, subtituição de significantes por uma similaridade de significação.

METALINGUAGEM (Métalangage) (J.B.F.):

Linguagem que por objeto descrever uma outra linguagem.

METONÍMIA (Métonymie) (J.B.F.):

Segundo Jakobson e Lacan, substituição de significantes por uma contigüidade de significação.

N
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NARCISISMO (Narcissisme) (J.B.F.):

Característico da relação de identificação entre o Ego (Moi) e: a mãe, a imagem, o outro.

NECESSIDADE (Bésoin) (J.B.F.):

Transcrição no organismo da falta-a-ser (ver este termo).

NEUROSE (Névrose) (J.B.F.):

Maneira (deficiente) de percorer a ordem da linguagem segundo relações que permaneceram imaginárias (recalcadas).

NÓ BORROMEANO (J.P.L):

Objeto matemático advindo da topologia e utilizado por Lacan desde 1972 para mostrar a articulação dos três registros, Real, Simbólico e Imaginário. O nó borromeano se caracteriza pelo enlaçamento de três "anéis" ou "cordinhas de barbante" tal que a ruptura de um acarreta o desligamento dos três. Tratava-se também da figura inscrita no brasão de famílias dos borromeanos que assim selava sua indissolúvel amizade com outras grandes famílias italianas.

NOM-DU-PÈRE (A.L):

neologicamente, Nome-do-Pai. Os hífens na grafia coalescem a palavra-valise no conceito técnico lacaniano.

O
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OBJETO a (J.P.L.):

Propriamente falando, trata-se da "invenção" de Lacan, e segundo seus próprios termos. O objeto a é o objeto causa do desejo. Não representável como tal, "perda" implicada pela fala, mas que vai dar lastro ao conjunto da cadeia significante, ele vai, por isso, dar ao sujeito "sua consistência" - consistência paradoxal, já que só se sustenta por essa perda.

OUTRO (Autre) (J.B.F.):

Toda a ordem da linguagem que constitui ao mesmo tempo a cultura trans-individual e o inconsciente do sujeito.

OUTRO (J.P.L.):

Lacan muito rápido escreveu Outro - outro com uma letra maiúscula - para distingui-lo do parceiro. Trata-se aqui, então, de um lugar, que em particular é o lugar da linguagem, situado para além de qualquer pessoa e onde se situa o que é anterior ao sujeito e que, entretanto, o determina. É a mãe que ocupa o lugar de primeiro Outro para o sujeito, o que quer dizer que é ela que torna presente para a criança essa cena em que sua subjetividade vai ser construída por palavras exteriores a ela própria antes que ela se aproprie delas. A mãe, então, empresta seu corpo a ser para a criança esse lugar do Outro, que é também o lugar da linguagem, o lugar dos significantes.

P
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PARADIGMA (Paradigme) (J.B.F.):

Oposição significante entre dois ou mais termos.

PAROLE (A.L.):

normalmente vertido por "fala", o que é de cotio. Mas, às vezes, empregamos simplesmente "palavra". Dizemos, com efeito: "Com fulano a palavra". "Tomo a palavra..."

PASSE (A.L.):

passe. J. Lacan, a fim de restituir a formação de analista à verdade, suprime a chamada psicanálise didática, elimina o "rito iniciático" e propõe o conceito de passe..Passe resume-se nesse difícil conceito: "O analista não se autoriza senão por si mesmo". A multifacetada utilização imaginária que passe pode embrear, quer para passantes quer para passadores, exige profundo exame. O termo vem mencionado no prefácio de Lacan; a autora, contudo, não o ventila.

PENIS (Pénis) (J.B.F.):

O órgão sexual masculino, no sentido anatômico.

PLENO (discurso) (Parole pleine) (J.B.F.):

O discurso de interpretação e de cura, emitido pelo psicanalista.

PSICOSE (Psychose) (J.B.F.):

Deficiência radical - efeito da forclusão (ver este termo) - que se traduz por uma inaptidão a relacionar corretamente o significante ao significado ou o significado ao significante.

PULSÃO (Pulsion) (J.B.F.):

Impeto que invade a criança por causa de sua falta-a-ser (ver este termo).

R
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REAL, O (A.V. e L.C.M.):

Juntamente com o Imaginário e o Simbólico, constitui um dos registros mediante os quais Lacan explicita o campo da Psicanálise e a antropogênese da espécie humana. O Real aparece como um corte na estrutura do Sujeito. Este corte, operado pelo entrecruzamento dos outros dois registros, aparece nos esquemas lacanianos como uma linha de correspondências entre o a’ da estruturação do Moi e o petit a configurador do objeto-Mãe-significante primordial do desejo, emergência do Id freudiano. A torção dessa linha é representada pela Banda de Moebius, caracterizando nela o passo "imóvel" de externo a interno, eliminando assim para uma topologia do sujeito a mera realidade externa composta por coisas extcnsas. O real equivale à pulsão de Freud e, como tal, é o que não tem pertinência no discurso psicanalítico. O real opera como causa e persegue constantemente o sujeito que se encontra protegido pela cena invariável que é o fantasma (imbricação dos dois registros). Quando esta tela fracassa, quando não oferece o controle da mediação entre as relações que o sujeito do Inconsciente tem. com o objeto de seu desejo, o real aparece no vivido do sujeito em todas essas modalidades bizarras em que parece que a "realidade" não está presente: alucinação, fenômeno do outro, ato incontrolado, etc. O Real é o absolutamente heterogêneo e sua relação com o objeto e a falta aparece mediado pela ordem significante segundo a articulação do Falo que, como representante primordial, participa eminentemente do Real. O Real não é objeto de definição, mas de evocação. Aparece no discurso enquanto comanda o desconhecimento. Sempre “fora do jogo” no ato psicanalítico, “fora do jogo” especular do imaginário, o real tem a ver com a falta-a-ser, com a ruptura fundamental, com a operação significante e o desejo. O real escapa à simbolização e se situa à margem da linguagem. O primeiro efeito do real, também inacessível, é o objeto do desejo como lugar de uma falta impossível de ser preenchida, produzida como resto, como desperdício, como algo “caído” que seduz e engendra a busca. O Real é, portanto, o informe, o que sempre aparece construído precariamente, falsamente: é impossível. O Real, diz Lacan, é sempre sem fendas... e não há meio de apreendê-lo a não ser por intermédio do simbólico.

RECALCAMENTO (Refoulement) (J.B.F.):

Ocultação dum acontecimento, de uma cena. . . na zona inconsciente do psiquismo.

REFENDA (Refente) (J.B.F.):

Tudo que o sujeito construiu na ignorância de sua divisão, da fenda (ver este termo) primeira.

REFERÊNCIA-REFERENTE (Rérecence-réferend) (J.B.F.):

Função da linguagem pela qual os interlocutores se referem à realidade que toma o nome de Referente.

RELAÇÃO SEXUAL (J.P.L.):

Conhece-se a formulação célebre de Lacan segundo a qual "Não há relação sexual". O que ele assim queria fazer entender é que, pelo fato de sua "captura" na linguagem, homem e mulher nunca se encontram completamente, que há sempre um resto - como quando se divide cem por três - e que, certamente, a existência desse resto - irredutível - faz fracassar toda esperança de complementaridade dos sexos. Ademais, a relação com esse resto não é a mesma para os dois sexos: com efeito, o homem é "todo" fálico e a mulher "não toda". Por isso, o que uma mulher espera de um homem não é o que um homem espera de uma mulher. Da pertinência desse aforismo certamente se pode deduzir a constatação da pemanência das dificuldades da vida conjulgal.

REPÉRER (A.L.):

repérage, à letra, "reparar", "reparo". "Não reparou que D. Severina tinha um xale que Ihe cobria os braços" (M. de Assis). Todavia, de onde em onde, lançamos mão de "notar", "demarcar", pois não caberia o sentido original.

RETÓRICA (Rhétorique) (J.B.F.):

Classificação das figuras de estilo e de argumentação. Conjunto dos significantes de conotação. Remete à Ideologia (ver este termo).

S
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SABER (Savoir) (J.B.F.):

Resistência do sujeito à verdade da linguagem, pelas ilusões imaginárias de conhecimento objetivo que ele se oferece.

SEMBLANTE (J.P.L.):

A categoria de Semblante, para Lacan, não remete ao falso semblante. Ao contrário, o Semblante designa o que organiza a vida psíquica para além do que seria uma aparência por oposição a uma essência. O Semblante deve ser relacionado com a Verdade. Assim, pelo fato da falta e da defasagem introduzida pela linguagem, não é difícil dar-se conta de que somos todos um pouco divididos, nunca completamente garantidos do que afirmamos, sempre um pouco no Semblante - mas irredutívelmente e, então, sem nenhuma conotação pejorativa. Tal é, antes, nossa verdade de humanos.

SEMÂNTICA (Sémantique) (J.B.F.):

Ciência dos signos do ponto vista dos signicados.

SEMIOLOGIA (Sémiologie) (J.B.F.):

Ciência dos signos do ponto de vista dos significantes.

SIGNIFICADO (Signifié) (J.B.F.):

No sentido semiológico: parte ' signo que está "escondida", imaterial.
No sentido lacaniano: aquilo a que remete o significante, mas que, no inconsciente, é inarticulável.

SIGNIFICANTE (Signifiant) (J.B.F.):

No sentido semiológico: parte do signo que é perceptível (visível, audível).
No sentido lacaniano: a definição acima é aceita no que se refere ao consciente. No inconsciente, o significante é o que pode se articular em um sistema, uma cadeia (a partir do significante primeiro, o falo).

SIGNO (Signe) (J.B.F.):

O todo formado por um significante e um significado.

SIMBÓLICO (Symbolique) (J.B.F.):

No sentido lacaniano: é coextensivo a toda a ordem da linguagem.

SÍMBOLO (Symbole) (J.B.F.):

No sentido semiológico: signo qual as relações entre significantes e significados comportam uma certa analogia.

SINCRONIA (Synchronie) (J.B.F.):

Abstração segundo a qual um sistema é estudado independente do tempo (cronológico).

SINÉDOQUE (Synecdoque) (J.B.F.):

Figura de retórica que nom com maior exatidão o modo de substituição de sentido designado sob o nome de "metonímia".

SINTAGMA (Syntagme) (J.B.F.):

Relação de combinação entre dois ou mais signos copresentes.

SINTOMA (Symptôme) (J.B.F.):

Signo enigmático de um conflito inconsciente.

SISTEMA (Sistème) (J.B.F.):

No sentido extenso: Sinônimo de código.
No sentido restrito: Conjunto de operações paradigmáticas (ver paradigma).

SUBSTITUTO (Substitut) (J.B.F.):

Significante em posição de alternativa em relação a um ou a vários outros.

SUJEITO (Sujet) (J.B.F.):

O ser humano atingindo sua individualidade própria numa configuração familial a três: o pai, a mãe , criança.

T
A - B - C - D - E - F - G - H - I - L - M - N - O - P - R - S - T - V
TRIÁDICA (relação) (Relation triadique) (J.B.F.):

Relação onde os três "papéis" (o pai, a mãe, a criança) se explicitaram.

V
A - B - C - D - E - F - G - H - I - L - M - N - O - P - R - S - T - V
VAZIO (discurso) (Parole vide) (J.B.F.):

Fala aparentemente insignificante, "neutra", do psicanalista para que o paciente "esvazie" tudo o que construiu.

VERDADE (Verité) (J.B.F.):

Momento do discurso pleno, da interpretação, da cura, o sujeito e o psicanalista concordando sobre a ordem simbólica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(J.P.L.) = Jean-Pierre Lebrun - MELMAN, Charles. O homem sem gravidade, Ed. Companhia de Freud.

(J.B.F.) = FAGES, J. B. Para compreender Lacan, Ed. Rio.

(A.L.) = LEMAIRE, A. Jacques Lacan uma introdução, Ed. Campus.

(A.V. e L.C.M.) = Vallejo, A. e Magalhães, L.C. LACAN: OPERADORES DA LEITURA. Ed. Perspectiva.

 

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