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Conceitos são Controversos


     Dentre os conceitos novos criados por Lacan, o de tempo lógico é o mais controvertido. Provocou muitos debates na comunidade psicanalítica porque colocava justamente em questão a noção de tempo cronológico para a duração da sessão de análise. Por meio daquele esta não deveria durar 45 ou 50 minutos, mas deveria se regular pelo desejo que seria o catalisador da experiência analítica. Os opositores argüiam, quanto a isso, que existiria uma postura arbitrária do analista no corte da sessão. Em contrapartida, Lacan sustentava que a duração se definiria pela antecipação do analista, isto é, pela lógica da certeza antecipada, baseando-se para tal no desejo do analisante.

     Quase tão polêmica como a dita noção de tempo foi a exclusão do conceito de afeto inconsciente da teoria psicanalítica. Por um longo período Lacan supunha que apenas o representante-representação seria inconsciente e não o representante afetivo da pulsão. Os sentimentos seriam sempre de ordem consciente, enquanto tal não revelariam a suposta verdade do sujeito, mas seriam mentirosos, isto é, sentiment, como foi dito num célebre trocadilho de Lacan. Posteriormente, Lacan afirmou que a angústia seria o único afeto com a marca do inconsciente, porque neste não existiria a mentira. Parece-me, contudo, que o desenvolvimento do registro do real (ao lado do simbólico e do imaginário) foi o canal pelo qual Lacan retomou por um outro viés a pertinência do afeto no campo psicanalítico.

     A exclusão do registro econômico da metapsicologia, isto é, o que aludia às dimensões de intensidade e de excesso da pulsão, foi uma outra inovação que produziu muita oposição no pensamento psicanalítico. Isso porque Freud, sobretudo no final de sua obra, deu um valor enorme à economia pulsional na teoria psicanalítica. De acordo com seus críticos, as exclusões dos conceitos de afeto e de economia, as duas faces da mesma moeda, representaram uma franca orientação platonisante imprimida por Lacan na psicanálise.

     No que concerne ainda a isso, a contraposição entre os registros da linguagem e do gozo no psiquismo, segundo a qual o sujeito falante se constituiria em oposição ao gozo, fundando-se assim como desejante, enuncia um outro tópico discutível da teoria de Lacan. A noção de que o sujeito se constituiria como falta, outra maneira de se enunciar o desejo como operador daquele, adviria justamente da exclusão do gozo primordial, do que Lacan denominava de perda da Coisa (Das Ding). O que propõem aqui os críticos daquele é que seria possível uma outra concepção de linguagem, pela qual essa não se oporia ao gozo.

     Como tudo isso se relaciona evidentemente, uma mesma problemática de fundo, o que se colocou também em questão foi o lugar estratégico atribuído por Lacan ao nome do pai. Pela mediação desse operador, o sujeito se constituiria como desejante no campo da linguagem, em ruptura com a natureza. A idéia desta condensa em si todos os referentes anteriores, isto é, o afeto, a intensidade e o gozo. Todos esses remeteriam à figura materna, pelo de natureza a que o indivíduo teria que romper para se instituir como sujeito. Pode-se entrever que está aqui nas entrelinhas a concepção de interdição do incesto e do Édipo como estrutura, que passaria pelo valor atribuído ao falo. Muitos autores criticariam Lacan sobre isso, por inserir a psicanálise na tradição do patriarcado. (J.B.)

 

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